sexta-feira, 6 de maio de 2016

Ler é uma prática social Unidade 1 - Aula 1 - Atividade 2

sexta-feira, 29 de abril de 2016

A formiga e a neve

*´¯`·. Universo das Fábulas.·´¯`*: A formiga e a neve: Numa certa manhã de inverno, uma formiga saía para o seu trabalho diário. Já ia longe procurar comida quando um floco de neve caiu, prenden...

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Mudança de perspectiva

Sempre ouvi que só o tempo ensina, que há um tempo para cada coisa na vida da gente. Mas esse entendimento coincide com o passar do tempo para nós. Para mim...
Certamente se eu não tivesse passado por todos os apertos, todos os problemas, com certeza eu não seria quem eu sou hoje.
Talvez seja a única vantagem ao se envelhecer: perceber tudo com uma clareza!

terça-feira, 29 de março de 2016

Grandes são os desertos, e tudo é deserto. F.Pessoa (Álvaro de Campos)

Grandes são os desertos, e tudo é deserto. 
 Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto 
 Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo. 
 Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes 
 Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas, 
 Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.  Grandes são os desertos, minha alma! 
 Grandes são os desertos.
 Não tirei bilhete para a vida, 
 Errei a porta do sentimento, 
 Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse. 
 Hoje não me resta, em vésperas de viagem, 
 Com a mala aberta esperando a arrumação adiada, 
 Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem, 
 Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado) 
 Senão saber isto: 
 Grandes são os desertos, e tudo é deserto. 
 Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,
 Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar 
 Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem) 
 Acendo o cigarro para adiar a viagem, 
 Para adiar todas as viagens. 
 Para adiar o universo inteiro.
 Volta amanhã, realidade! 
 Basta por hoje, gentes! 
 Adia-te, presente absoluto! 
 Mais vale não ser que ser assim.
 Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro, 
 E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.
 Mas tenho que arrumar mala, 
 Tenho por força que arrumar a mala, 
 A mala.
 Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão. 
 Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala. 
 Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas, 
 A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.
 Tenho que arrumar a mala de ser. 
 Tenho que existir a arrumar malas. 
 A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte. 
 Olho para o lado, verifico que estou a dormir. 
 Sei só que tenho que arrumar a mala, 
 E que os desertos são grandes e tudo é deserto, 
 E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.
 Ergo-me de repente todos os Césares.   
 Vou definitivamente arrumar a mala.   
 Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;  
 Hei de vê-la levar de aqui, 
 Hei de existir independentemente dela.
 Grandes são os desertos e tudo é deserto, 
 Salvo erro, naturalmente. 
 Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!
 Mais vale arrumar a mala. 
 Fim.

quarta-feira, 2 de março de 2016