terça-feira, 28 de julho de 2015

Para inglês ver ou 'puxar lãs sobre os olhos dos ingleses'...

Eu estava tentando descobrir quem cunhou por primeiro essa expressão. Toda a pesquisa que fiz apresenta duas versões: uma brasileira e uma portuguesa.
A brasileira dá conta de que foi por causa da Lei Eusébio de Queirós, de 1850, sobre parar de comprar escravos africanos:
O governo da Grã-Bretanha cobrava do Brasil uma posição favorável à recém-criada legislação britânica, conhecida como Bill Aberdeen (de agosto de 1845), que proibia o comércio de escravos entre África e América. A lei concedia o direito à marinha britânica de aprender qualquer embarcação com escravos que tivesse como destino o Brasil. (FONTE: http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/lei_eusebio_queiros.htm)
A versão portuguesa da frase está relacionada com a fuga da corte lusitana do exército de Napoleão, orientada pela Inglaterra:

A expressão "para Inglês ver" remontam aos tempos das invasões francesas e após a partida da família real portuguesa para o Brasil. 
O que aconteceu é que Portugal passou a ser uma espécie de protectorado Inglês assim que começaram as guerras peninsulares contra os franceses. Ou seja, o Rei pediu aos ingleses para tomarem conta de Portugal enquanto ele estava no Brasil. Sendo assim os ingleses assumiram o comando da máquina militar portuguesa na luta conjunta contra França. 
O grande problema que os ingleses enfrentaram ao chegar a Portugal foi a desorganização geral dos portugueses. 
Como todos sabemos os ingleses são metódicos, adoram fazer leis e ter tudo por escrito e bem arranjado, ao contrário dos portugueses que viviam mais numa base prática e com uma política do desenrrasca. No entanto, com as novas imposições organizacionais dos ingleses os portugueses viram-se obrigados a organizarem-se no modo possível. 
Assim sendo, sempre que saía uma lei ou era necessário apresentar um relatório a um general inglês, o português lá tinha que organizar tudo muito bem e por escrito, para mostrar aos ingleses de que estava tudo em ordem. Na prática era só papel e servia apenas para demostrar teoricamente que tudo estava OK, quando na realidade a situação era bem diferente e muito possivelmente as regras não eram cumpridas pela população que nem sequer estava virada para acatar ordens ou conselhos de estrangeiros. 
Sendo assim a expressão nasce precisamente dos portugueses que escreviam relatórios, leis com as coisas que sabiam que deixaria os ingleses agradados. O mesmo se aplicava a visitas de generais ingleses a certos locais onde a realidade era tapada de modo a que as aparências iludissem. Vejamos: "Os ingleses querem que se construa uma nova estrada aqui?? Ok, vão buscar umas quantas pás e pedras e metam-nas aí a um canto só para os ingleses verem que já estamos a começar" ou então: "Os ingleses querem um recolher obrigatório à noite? Tá certo. Escrevam uma folha a referir tal, e coloquem nas portas Igrejas." (Acham que alguém cumpriria esta regra ditada por um estrangeiro? lol. Isso é só para inglês ver ;) haha) (FONTE:https://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080127064705AA26jVR )

Interessante ver como portugueses e brasileiros discutem para serem os 'pais' da frase. Enfim, o fato é que eventualmente os ingleses viram a realidade pintada com as cores brasileiras/portuguesas.
Eventualmente eles [ingleses] foram feitos de bobos ou os dois países tinham medo da Inglaterra... Imaginar marmanjos correndo para lá e para cá para fingir que as coisas estão sendo (o que seria dos procrastinadores se não fosse o gerúndio!) feitas é engraçado, só não é mais engraçado por mostrar esse lado de fazer as coisas 'nas coxas'. Fazer apenas para mostrar e não por ser o certo a fazer ou por um posicionamento do país. 
Usar essa expressão demonstra algo que poderia ter sido feito da maneira correta [com tempo] e estamos tapeando  para salvar a situação, no caso, para Inglês ver... Expressão engraçadinha, mas que aponta um quadro triste de incompetência, sinceramente não gostaria de o Brasil ter inventado essa frase [pelo contexto], de minha parte pode ficar Portugal com a autoria.
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